Mortes relacionadas com o consumo de drogas

Mortes relacionadas com o consumo de heroína

Na presente secção, o termo “mortes relacionadas com o consumo de droga” é utilizado para denominar as mortes directamente causadas pelo consumo de uma ou mais drogas e que se verificam pouco depois do consumo da(s) substância(s). Estas mortes são denominadas “overdoses”, “envenenamento”, ou “mortes induzidas pela droga” (146).

Os opiáceos estão presentes na maioria dos casos de “mortes relacionadas com o consumo de droga” causadas por substâncias ilegais registados na UE, embora muitas vezes também sejam identificadas outras substâncias durante o exame toxicológico, em particular o álcool, as benzodiazepinas e, em alguns países, a cocaína (147).

Entre 1990 e 2002, foram registadas, anualmente, nos Estados-Membros da UE 7 000–9 000 mortes por overdose (148), o que representou, no total, mais de 100 000 mortes durante esse período. Estes valores podem ser considerados como estimativas mínimas dada a probabilidade de, em muitos países, existir défice de notificação.

A overdose de opiáceos é uma das principais causas de morte entre os jovens da Europa, em especial entre os jovens urbanos do sexo masculino (OEDT, 2004c). Actualmente, a overdose também é a principal causa de morte entre os consumidores de opiáceos no conjunto da UE; por exemplo, em 2001, os Estados-Membros da UE‑15 comunicaram 8 347 mortes relacionadas com a droga, em comparação com 1 633 mortes devido à SIDA, entre os CDI (EuroHIV, 2004) (149), embora os custos e os eventuais problemas a longo prazo da infecção pelo VIH não devam ser esquecidos.

A maioria dos consumidores de drogas que tomam doses excessivas é do sexo masculino, correspondendo a 60 a 100% dos casos, e na maior parte dos países essa percentagem varia entre 75 e 90%. A maioria das vítimas de overdose tem entre 20 e 30 anos de idade, situando-se a média de idades por volta dos 35 anos (intervalo etário dos 22 aos 45 anos). A média de idades mais baixa verifica-se em vários dos novos Estados-Membros (Estónia, Letónia, Lituânia) e Roménia, sendo em muitos deles a percentagem de vítimas de overdose com menos de 25 anos relativamente elevada, o que poderá reflectir a existência de uma população consumidora de heroína mais jovem nestes países (150).


(146)  Trata-se de uma definição acordada pelo grupo de peritos nacionais do OEDT. Ver notas metodológicas “Definição de morte relacionada com o consumo de drogas do OEDT” no Boletim Estatístico de 2005 e DRD Standard protocol, versão 3.0. A maioria dos países possui definições nacionais que, actualmente, são idênticas à do OEDT, ou relativamente semelhantes, embora alguns deles incluam casos devidos a medicamentos psicoactivos ou mortes não causadas por overdose, geralmente em percentagem reduzida (ver “Definições nacionais de morte relacionada com o consumo de droga” no Boletim Estatístico de 2005).

(147) Ver quadro DRD-1 no Boletim Estatístico de 2005.

(148) Ver quadros DRD-2 e DRD-3 no Boletim Estatístico de 2005.

(149) O valor relativo às mortes por SIDA refere-se à zona ocidental da OMS Europa e inclui os mortos de vários países terceiros, por exemplo Suíça, Islândia e Israel.

(150) Ver Figura DRD-2 no Boletim Estatístico de 2005.